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Poranga marandúa: Manual de redação do jornalismo indígena

Ronda Alta - Terra Indígena Serrinha, RS: Articulação Brasileira de Indígenas Jornalistas (Abrinjor); Instituto Kaingáng (INKA) (2026), 117 pp.

Contains bibliogr. pp. 106-107, chronology pp. 108-116

ISBN 978-65-991735-9-2 1

"Trazemos, neste documento, muito além do conhecimento técnico profissional no jornalismo. Compreendemos que a universidade nos forma tecnicamente para atuação no jornalismo, porém o território – principal objetivo de luta dos povos indígenas – também é uma universidade, nos formando como sujeitos etnicamente posicionados nos espaços da vida social. Portanto, este manual de redação de jornalismo indígena emerge com o objetivo de contribuir para: (1) nos colocar, enquanto coletividade organizada, dentro do campo de disputa da comunicação como agentes especializados na temática que diz respeito aos nossos povos; (2) orientar os não indígenas sobre práticas, conceitos e abordagens ao cobrir ou dirimir sobre temática indígena no espaço da imprensa e da mídia como um todo.
Este manual se insere como um dos principais produtos elaborados pela Articulação Brasileira de Indígenas Jornalistas (Abrinjor), composta por mais de 60 indígenas de mais de 40 povos. A Abrinjor tem a missão de fortalecer a presença dos indígenas jornalistas no campo da comunicação para enfrentar o racismo, a invisibilidade e a representação inadequada dos povos indígenas e para ampliar nossa participação, valorização e respeito no mercado de trabalho, nos espaços universitários, governamentais e de decisão do jornalismo brasileiro, construindo uma rede qualificada de profissionais, vinculada ao movimento indígena, que assegurem uma comunicação livre de visões coloniais e comprometida com as pautas dos nossos povos.
[...] Cabe ressaltar, por fim, que o documento está organizado em dois grandes blocos: um histórico-conceitual e outro orientador-recomendativo, os quais se desdobram em seis partes. Nas seções (1), (2), (3) e (4), que compõem o bloco histórico-conceitual, são abordados a organização social do movimento indígena brasileiro, a distinção, a relevância e os marcos históricos da comunicação nesse contexto, culminando no detalhamento da compreensão do jornalismo indígena no Brasil, concebido sobretudo a partir dessa rede de profissionais. Já nas seções (5) e (6), correspondentes ao bloco orientador-recomendativo, apresentam-se diretrizes para a condução de trabalhos jornalísticos junto aos povos e territórios indígenas, além de um conjunto de verbetes que orientam quanto à forma adequada de tratamento das pautas relacionadas aos povos indígenas." (Apresentação, páginas 20-22)
1 Movimento Social e Povos Indígenas no Brasil: o que você precisa saber sobre nossas formas próprias de organização, 25
2 A comunicação Indígena no Brasil: da oralidade ancestral às redes digitais, 35
3 Indígenas jornalistas e o jornalismo indígena: o direito a falar de NÓS e os desafios ao abrir caminhos, 43
4 Marcos da comunicação no Brasil: uma perspectiva indígena, 55
5 Condutas: caminhos para o diálogo e respeito aos indígenas jornalistas, nossos povos, organizações e comunidades, 59
6 Conceitos ultrapassados sobre povos indígenas no Brasil, 75